quarta-feira, 20 de junho de 2012

"O que você vai ser quando você crescer?"


Eu ouvia muito Legião Urbana e toda vez que uma das minhas sobrinhas estava ao meu lado e ouvia essa pergunta “O que você vai ser quando você crescer?”, ela respondia: médica! E o fazia com muito entusiasmo.  Ô pergunta difícil, essa! Tem gente que já cresceu, mas ainda não sabe o que vai ser. Tem gente que sabe o que quer ser, mas não vai ser, porque ser não é uma coisa tão simples e tão fácil. Depende de outras coisas e pessoas. Na verdade, há uma diferença gigantesca entre o que você quer ser e o que você se permite ser. No fundo, nos cantos mais escondidos do ser, você sabe muito bem o que quer ser. (Eu vou parar com os trocadilhos!) É tudo muito simples (entender o que eu vou dizer é que é simples). Aquilo que você deseja ser está mais relacionado aos seus sentimentos mais profundos e íntimos. Estou falando de profissão mesmo. O problema é a sociedade (... ham? Como assim? Pensei que ia ser simples de entender...). Sim, a sociedade. Porque, ainda hoje, para ela, o “melhor” que você pode ser é um médico ou um advogado. Mas não posso deixar de incluir a “bola da vez”: Engenharia, é claro. Essas profissões tem um status elevado. Quase todas as outras têm um prestígio menor, menos reconhecimento. E também tem aquelas que são “impossíveis”: Astronauta e agente do FBI, por exemplo. Melhor e pior não constituem classificação para profissões. O que pensar de uma sociedade sem poetas, sociólogos, historiadores, policiais, biólogos, professores? Acho que todos entendemos o valor de todas as outras profissões. Só estamos historicamente alienados. Nem vou discorrer muito sobre isso. Vale-me um poema:
O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.”(...)
Gregório de Matos
Porém, na sociedade capitalista em que vivemos, seria muita ingenuidade de minha parte esquecer o dinheiro, pois por mais capitalista que ele seja, nós gostamos e precisamos dele. No processo de escolher uma profissão a ser seguida, estude, avalie, calcule, experimente, conheça. E acima de tudo, equilibre. O tempo é uma das dádivas mais preciosas que temos em nossa vida. E a maneira como o usamos vai fazer toda a diferença. Ninguém quer passar fome e ninguém quer passar frustração. Todo mundo quer ser feliz. E eu tenho certeza que todo mundo não vai ser feliz do mesmo jeito. (Já imaginou um mundo feito de 7 bilhões de pessoas vestidas com um jaleco branco?). É com todas as nossas qualidades e particularidades que iremos somar retalhos de competências a esse imenso mosaico: esse complexo sistema chamado vida e esse complexo lugar chamado mundo. Cada um sabe, para si, o que mais importa e é aí que está o nosso foco. Sabem por que escolher uma profissão é tão importante? Porque está relacionado ao que você vai ser. E ser não somente diz respeito ao que você vai fazer quando se levantar a cada dia, mas é muito mais que isso. Ou você achou que aquela pergunta lá em cima só falava de profissões?

-Danillo Melo, cronista, eletrotécnico e estudante de Letras-
18/06/2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Quem você pensa que é?


O homem é o animal mais iludido que já existiu na história do mundo. Tem mania de grandeza, essa gente. Pode-se confiar numa espécie que se diz imagem e semelhança de seu próprio Deus? E o pior. Acredita piamente nesse dito.
A última moda inventada pelo homem é que o planeta corre perigo de sumir do mapa universal. Diz-se ainda, o homem, causador desta catástrofe. Acho que a população anda assistindo filmes americanos demais. (Imagina? Um vilão de filme americano chamado “ O homem.” ?  Ou “Homo Sapien-Sapien”? Ridículo, nem nome de vilão isso parece. Parece mais desenho animado da Walt Disney.)
Dominação e destruição do mundo é coisa Hollywood e fica por lá. O homem não é o grande vilão desse filme chamado “mundo”. Na verdade não passa de mais uma peça do jogo. Entende? É só o planeta balançar, sair de sua rota natural e pronto. Findou-se a passagem da espécie humana na terra. Era uma vez...
É prepotência demais achar que um ‘carrapato’ com alguns milhões de anos na escala evolutiva pode destruir um ‘elefante’ com alguns bilhões de anos nessa mesma escala. Chega a ser gozado. Carrapatos sugam, mas não conseguem matar seu fornecedor. Morrem antes, empanzinados de sangue.
Você acredita que o mesmo planeta que já foi alagado (Totalmente submerso em águas.) e que, outrora, passou por uma era glacial (Famosa era do gelo.) vai se abalar com plástico e garrafa PET? Sendo que estes elementos, apesar de modificados, foram antes de tudo produzidos pelo próprio planeta? Uma cobra não se engasga com o próprio veneno.
Não me entenda mal, caro leitor. A poluição tem, sim, que acabar. Claro!O que quero dizer é que manter limpo o ambiente onde se vive não é questão de salvar o mundo... Não. Passa longe disso. É questão de salvar a própria espécie humana. Esta sim anda ameaçada. A terra não... Continua firme e forte, sofrendo as mutações que sempre sofreu... Tudo dentro da normalidade. Uma normalidade tão maravilhosa que não nos cabe entender. Não nos é permitido entender. Afinal, Quem nós pensamos que somos?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O despertar da velhice


Recebi, hoje, uma triste notícia. O meu grande amigo e também cronista Marcello Borba me mandou um link de uma pequena matéria com o seguinte título: Gabriel Garcia Márquez estaria perdendo a memória. “Minha nossa!”, pensei . Lembrei-me de uma parte do romance Cem anos de Solidão, quando um personagem do livro precisou escrever o nome de cada objeto ao seu redor para não esquecê-los. Quanta ironia. Meu comentário e resposta a respeito do texto foram: “...uma mente genial esquecendo-se das coisas, mas seus livros também são sua memória!” “Seus livros também são sua memória...”  Assim como o seu personagem, o escritor colombiano já registrou sua memória. Pensei no tempo e no que ele faz com os gênios e os não gênios. Ele não poupa ninguém. O tempo tem um papel primordial na escola da vida, porque ele nos dá e nos tira as coisas. Não importa se você tem apenas 20 anos. Você não está velho, nem acho que você esteja ficando velho. Mas você já viu o que o tempo faz. Provavelmente você já sofreu e já se regozijou com a influência do tempo em sua vida. E uma das coisas que o tempo traz é, justamente, ela, a velhice. Acho que a velhice é muito mais do que ficar cheio de rugas e perder a beleza. É a sensação de que o fio está se desprendendo. O fio da vida. É o pôr do sol. É como se toda uma vida fosse o alvorecer e o ocaso. Como se fosse um só dia, que de tão efêmero, nos faz pensar no que fazer, antes que esse dia termine, pra que tudo vivido possa ter valido a pena. E pior do que perder a memória é não ter uma memória. Algo digno e capaz de ser apreciado. Algo para que, assim como um grande escritor, você e outros possam lembrar do que você é ou foi. Mas eu não estou falando de livros, estou falando de atos. Além dos diários e das fotografias, deixemos um filho, uma árvore, um bom exemplo, um legado. É o legado que ficará, depois de tudo, quer percamos a memória ou a vida. É o legado que fará com que sejam escritas, no tempo, a nossa história, até que ele perceba que não consegue nos levar completamente. E o tempo de tão curto, nos ensina a usá-lo melhor, até ficarmos velhos de tanto amor, realizações e alegrias. Que ao olhar para trás, do nascer do sol, até agora, possamos sentir, com satisfação, que estamos escrevendo uma obra-prima chamada vida...Tenham um bom dia!

-Danillo Melo-
14/06/2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Você já abriu mão de um amor?


Abrir mão de um amor que se tem, é como abrir mão de um pedaço de você. Você viveria tranquilo tendo perdido uma perna? Acredite, o tempo passaria e você viveria, sim, tranquilamente sem uma perna. Ou morreria chorando por ela.
Se em algum momento você se obrigou a abrir mão de alguém que, outrora, foi o motivo de seus sorrisos, simplesmente para ver esse mesmo alguém ter mais motivos para sorrir, você sabe o que é sentir uma dor nobre. Você já encarou a face inconstante do amor!
Na vida só há um motivo para se abrir mão de um amor que se tem. A felicidade de quem se ama. Não quero dizer que será fácil. Não será. Você estará abrindo mão do seu sorriso, para que esta pessoa sorria. (muitas vezes nos braços de outro alguém.) Doído, não? Pois é, caro leitor, o amor não é, senão comunhão de alegrias e sofrimentos.
Bons beijos de boca se encontram em qualquer lugar. É muito fácil. O sentimento é algo mais elaborado... É necessário paciência, confiança e empenho para construir um sentimento firme.
 Os defeitos são, muitas vezes, corrosivos, mas quem não tem defeito, né?  O amor serve também para nos aprimorar... Mudarmos o que achamos sensato ser mudado. Mudar não por quem se ama. Não. Mas mudar por você e, naturalmente, estará fazendo também por aquele (s) a quem você quer bem. Entende? O único defeito ruim é aquele que ameaça a nossa felicidade, os outros são todos bons... Fazem-nos humanos.
Os príncipes encantados e as princesas indefesas morreram nas entranhas da infância. Não vivem no mundo real. ( Como é bom saber disso... Essa gente sem defeito é um saco.)
Só existem dois tipos de amor. O amor altruísta e o amor corrosivo. A forma de amor que você carrega no peito não define a quem você irá amar...  O amor não é seletivo. A sua maneira de amar define, somente, quanto tempo a pessoa amada vai ficar ao seu lado. Tenho certeza que não preciso estender mais o meu discurso sobre este ponto. Você, querido leitor, me entendeu. Se, por acaso, não conseguiu compreender, é porque prefere assim.
Findo aqui esta crônica que tenta falar de amor e que na verdade é um lamento por uma amada que se vai e um afago no amor que permanece entranhado ( Muitos até dirão que este texto foge do estilo de minhas crônicas. Até parece que é uma crônica do Danillo Melo, mas não. Sou eu. Gleison. Podem conferir na assinatura no fim do texto.). Amemos mais. Amemos incondicionalmente. Amemos lindamente. Amemos!
Obs: O Nilton Junior certa vez, numa conversa, me falou: “ Feliz de quem sabe amar incondicionalmente!” . Sabe das coisas esse cara.

- Gleison Nascimento, 12/06/2012-

sábado, 9 de junho de 2012

Desprezo



  Já parou para pensar no que alguém sente ao ser desprezado? Interessante, pois parece o mesmo que perguntar: Já parou para pensar no que alguém sente quando está com dor de barriga? É preciso sentir para saber. O desprezo é algo parecido com a sede de beber água em meio ao deserto. É querer um mínimo de atenção e simplesmente não ter. Se tornar desatento ao resto das coisas esperando uma única coisa. É complicado e ao mesmo tempo simples. Complicado quando não se entendi o motivo, ou fingi que não entendi... Entendeu? Complicado não é? Simples porque basta um simples “oi” sorridente para se acabar com o desprezo, sentimento tão mesquinho.
  Mesquinho! Por quê? Estamos falando de política ou de amor? Hum... Acho que tanto faz... O desprezo não deixará de ser mesquinho mesmo! Você como parte do povo já se sentiu desprezado por seus governantes? Principalmente quando precisa usar um hospital público ou o transporte coletivo né? Mas, quando você vê alguém pedindo esmolas e mesmo tendo alguns trocados no bolso não dá, se senti culpado por achar que acabou de desprezar alguém? Esses são exemplos de manifestações diferentes do desprezo, mas não gostaria de trata-los aqui... Ou gostaria? Não! Prefiro tratar do desprezo no amor, aquele que você que está lendo já sentiu, ou poderá sentir um dia. Se sentiu sabe do medo que dá pensar em nunca mais poder falar, conversar, desabafar, compartilhar momentos e tudo mais com alguém querido, um amigo, pai, irmão ou simplesmente alguém, “O alguém”. Será que é tão difícil perdoar o dito, ou o “quase dito”? O mal dito, mal entendido ou ato sem pensar? É difícil sim vos garanto, mas é preciso lembrar que também somos alguém e que um dia poderemos estar do outro lado sendo desprezado, morrendo angustiado, desesperados por um pingo de atenção, por um simples perdão.
  Portanto fica aqui a lição: Ao se sentir desprezado escreva, defenda-se, mude, se realmente for preciso, e aguarde, pois o tempo é o melhor remédio para curar feridas e a vida o melhor caminho a seguir. Se você despreza cuidado! Escreva, defenda-se, mude, se realmente for preciso, mas não espere muito, pois para você o tempo é um inimigo que pode te privar de nunca mais poder perdoar e fazer com que passes a eternidade mergulhado em dúvidas, amarrado a um sentimento nem um pouco nobre, um sentimento indesejado, temido e evitado por tudo e por todos, vivos e mortos, o sentimento de culpa.
                                                                                                              Jameson Barros
                                                                                                      Recife, 07 de junho de 2012

domingo, 3 de junho de 2012

Quem não acredita em contos de fadas?

Um dia, na livraria Imperatriz, do Shopping Plaza, eu lia um trecho da biografia não autorizada da escritora Stephenie Meyer, da série Crepúsculo. O sucesso colossal da obra, perante o público, é algo que sempre me intrigou. O autor da biografia defendia, como um dos possíveis motivos para isso, o seguinte: a volta ao romantismo. O retorno a um amor mais puro, menos sacana, um amor que está descobrindo a si próprio, que está se conhecendo enquanto amor, que é simples e supremo. Nem li qualquer um dos livros da trilogia, mas concordo com ele...Não vim aqui defender ou atacar os livros da escritora. Meu foco nem é falar sobre ela. O meu foco está nessa ideia : a ideia de que todo mundo, precisa, precisou ou vai precisar de uma amor assim.
Quem não acredita em contos de fadas?...Você já usou a palavra príncipe ou princesa alguma vez? Já percebeu que esse substantivo é quase um adjetivo? Que é quase um sinônimo para belo(a), meigo(a), simpático(a), educado(a), elegante, romântico(a)?! A verdade é que um conto de fadas sempre fez parte do nosso âmago, do nosso imaginário, dos nossos sonhos mais ternos. Ninguém entrou casmurro no palco da vida. Talvez tenha se tornado assim ao vivê-la. Os contos de fadas são o mundo perfeito das crianças e os adultos são crianças desiludidas, que perderam a fé nesse mundo, mas como queriam que tudo fosse verdade! Não é ,o amor, isso? A nossa busca eterna pelos nossos contos de fadas pessoais? Embora o amor esteja em queda, esmagado pelo dinheiro, fama, sucesso, desilusões e tragédias amorosas, ele nunca morre. Ele é imortal. Ele sempre volta. Tem gente que ama deliberadamente. Tem gente que sofre constantemente. Tem gente que não desiste. Tem gente que desiste, mas não desacredita. Embora a vida tenha calejado nosso coração, a nossa alma é faminta. Ainda se deseja um "felizes para sempre". Quanto a isso, Renato Russo cantou que "o pra sempre, sempre acaba" e Vinícius retrucou: " que seja eterno enquanto dure"... Não precisamos de castelos, cavalos, poções mágicas, e beijos ressuscitadores para vivermos o nosso conto de fadas. Sabemos bem o que buscamos e o que precisamos. É o romantismo! Amar sem medo e sem medida, como o primeiro amor: disposto a tudo, inexperiente, corajoso, profundo, sincero e mágico. Buscamos algo maior do que aquilo que as pessoas dão e recebem hoje em dia. Queremos romantismo. Queremos uma vida não completamente recheada de flores, mas repleta de primaveras. É melhor viver e amar sem medo, que morrer sem ter vivido, por medo de amar. Porque quando a vida estiver chegando ao fim, não teremos mais tempo para termos e sermos príncipes ou princesas"encantados"...


Festa

Meu peito já se encontra adormecido
Das dores que o tempo me infligiu
E cada dia mais amortecido
De amores com que ele se iludiu

Senhor de acreditar em fantasias
Riacho de tristezas e de pranto
Meu peito, oh, meu peito, sofreu tanto
Que fez dos desencantos companhias

E o pranto que se fez parte de mim
Acostumou meu ser a ser assim
Amigo dessa dor que me molesta

Mas quando um novo amor se faz presente
Embora ele se vá rapidamente
Meu peito faz, do pouco, muita festa.

Danillo Melo, 29 de maio de 2012

-Danillo Melo-
03/06/2012

sábado, 2 de junho de 2012

Novinha.

Era fim de tarde, dia de sábado de muito calor. Fui pela primeira vez na casa de meu amigo Gleison Nascimento, poeta e dançarino de boa qualidade. Encontramos seu pai no sofá, cumprimentei-o com meu sorrisinho de amatutado e em seguida sua mãe, pouco mais velha que eu, pode? Meu amigo me alojou em seu quarto enquanto iria tomar um banho pra depois sairmos pra noite. Então, eu e um computador (novinho que acabara de ganhar) presenciamos a chegada de um menininho de 4 anos, sardento e engraçado, achei-o fofo e dei um cheiro na cabeça. Olho-me de baixo pra cima e perguntou se eu era gay. Depois pediu pra eu colocar um vídeo no youtube, uma tal  Novinha. Jurando ser algo infantil fiz a pesquisa e apertei play e começou o pancadão! Meu Deus! O garotinho e mais duas mocinhas que saíram num sei de onde subiram em cima da cama do poeta e começaram a esculhambar na coreografia. Perguntei ao pivete “são suas irmãs?” e ele já em estado de êxtase “São minhas morenas!” Desliguei o computador! Veio a simpática mãe com uma “lapa” de prato de sopa quentíssimo acompanhado de dois pães amassados na chapa pra minha fartura janta. Hum... Os meninos roubaram meus pães e saíram correndo. Eu fiquei com a sopa quente naquele calor danado olhando para o computado  desligado pensando na tal Novinha na cabeça do garoto de olhos brilhantes.

- Kerlle de Magalhães, 02/06/2012-